
De todo o amor que eu tenho
Metade foi tu que me deu
Salvando minh'alma da vida
Sorrindo e fazendo o meu eu
[...]
Me mostre um caminho agora
Um jeito de estar sem você
O apego não quer ir embora
Diaxo, ele tem que querer
(Dona Cila - Maria Gadú)
Vó...
Eu achei que você fosse durar pra sempre, que essa força que emanava de você era indício de imortalidade física e, de repente, aqui estou sem poder lhe dar um abraço. Abraço que tantas vezes pude dar e não dei.
Aqui estou com nó na garganta e lágrimas teimosas nos cantos dos olhos.
Tantos e-mails recebidos avisando que a morte é assim, traiçoeira, e por isso devemos deixar as pessoas que amamos sempre com palavras agradáveis. Eu amo você e não fiz isso, não disse “eu te amo”, não lhe abracei com a força que deveria, nem olhei nos seus olhos verdes por mais tempo... Saudade dos seus olhos verdes.
A verdade é que a gente acostuma com o conforto da convivência, com a presença diária e esquece que as pessoas não são eternas.
Acostuma com aquele apoio que o simples saber da existência daquele ente querido proporciona, e não dá muita bola pra coisa... Acostuma tanto que é quase como respirar. A presença é como o ar que respiramos, só que este ar de uma hora pra outra acaba.
Falta de ar... Desespero... A gente puxa o ar e ele não vem...
Quem já se afogou nessa vida vai me entender! Só puxar da memória, é mais ou menos aquilo. Falta o ar e sobra uma coisa que não deveria estar ali. A saudade é como a água nos impedindo de respirar, entrando pelo nariz, fazendo arder por onde passa.
É, vó... Você não era deste mundo mesmo! Eu devia ter lembrado disto e aproveitado mais a sua presença física antes de você voltar pra casa. Mas, como eu sei que você deve estar muito bem, e “Vivinha da Silva”, na vida de verdade, contagiando muitos espíritos com seu gás, que deve estar renovado sem o peso do corpo físico, eu vou aproveitar para lhe dizer umas coisas que eu, por vergonha, safadeza, ou simplesmente porque só soube que eram tão fortes depois do meu “afogamento”, não disse.
Primeiro: eu amo você. Muito. Muito mesmo. Até dói às vezes.
Segundo: você é parte grande de mim. Raiz profunda, que alimenta, dá forças e faz crescer. Empurra pra alto. Eu sou o que sou, graças a você, e se tento ser uma pessoa melhor, se acredito que é feio ser chata, arrogante, mal-educada e que devemos ter caráter e sempre ajudar o próximo tanto quanto podemos (embora seja difícil, e por vezes não consigamos), é porque você levava a gente pra Evangelização desde pequeninha, nos apresentou ao Espiritismo e à Caridade, e acima de tudo, nos deu o exemplo.
Terceiro: Eu quero ser como você quando eu crescer. Imperfeita? Sim. Com defeitos? Sim. Mas sempre em busca de combater as coisas ruins que não condizem com o nosso caráter e com o futuro que almejamos. Quero ter metade da sua energia, um terço da sua força – Laura aroeira - e um décimo da sua fé.
Bom, vó... É isso, e desculpe-me se não fui visitar o seu túmulo ainda. Não consegui, não tive vontade, não deu! Aquilo não combina com você. Tão cheia de energia enquanto em nossa presença! Mas, eu vou superar e vou lá. Como não sei se pra você é importante, eu vou. Vai que é?
Desculpe-me também pela falta de paciência, de maturidade, pela neta chata que fui, por tudo o que podia ter feito e não fiz, por tudo o que podia ter dito e não disse. Desculpa mesmo...
De resto, tô morrendo de saudade. Queria eu ter te contado, pessoalmente, que por fim, vou ser professora, como você! Trocar figurinhas, pedir conselhos. De qualquer forma, torça por mim daí mesmo. E, assim que pudermos, espero te dar aquele abraço que não dei. Nos encontramos em sonho uma noite dessas...
Com carinho e saudade gigantes.
Na nossa infinita pequenez acreditamos que é preciso "ouvir" algo, para saber que aquilo existe. E, também por isso, acabamos por acreditar que é necessário "falar" algo, para que as pessoas saibam que aquilo existe. Nos esquecemos que algumas pessoas simplesmente sabem...
ResponderExcluirA Vó, certamente, sabe do seu intenso e imenso amor. Certamente conhece sua admiração (e eu quase posso vê-la dizendo, humildemente, que "imagina, bobagem..."). E certamente acompanhou letra por letra, enquanto você escrevia esta linda declaração. Ela sente todo o orgulho do mundo por você, e vai te assistir com o que for necessário para seu desenvolvimento.
Deixa a saudade escorregar entre os dedos. Dá lugar pra fé!
Bjos. Saudades.
Te lovo.
Olá! Sou do e-family a 'serclara', te achei aqui.
ResponderExcluirMuita força nessa hora, perder um ente tão querido não é fácil. O tempo ajuda, mas não apaga. Só com fé e coragem mesmo a gente consegue.
Bjs, tudo de bom pra vc e pro baby!