terça-feira, 7 de julho de 2009

Bem-vindos à Holanda!



A Beleza da Holanda (Emily Perl Kingsley)

Costumam pedir-me para descrever como é criar uma criança com uma incapacidade - para tentar que pessoas que não passaram por isso o compreendam e imaginem como seria. É assim:
Quando vamos ter um bebê, é como planejar uma viagem fabulosa a Itália. Compramos um monte de guias de viagem e planejamos uma viagem maravilhosa. O Coliseu. O David de Michelângelo. As gôndolas em Veneza. Até podemos aprender algumas palavras em italiano. Tudo parece fantástico!
Depois de meses de uma grande antecipação, chega finalmente o dia. Fazemos as malas e partimos. Umas horas mais tarde, o avião aterra. A hospedeira anuncia "Bem-vindo à Holanda." E pensamos, "Holanda?!? Como, Holanda? Eu inscrevi-me para Itália! É suposto eu estar na Itália. Toda a minha vida sonhei em ir a Itália."
Mas houve uma mudança no plano de voo. Eles aterraram na Holanda e é aí que vamos ficar. O que importa é que não nos levaram para nenhum lugar horrível e sujo, cheio de doenças ou fome. É apenas um lugar diferente.
Então temos que ir comprar novos guias de viagem. E temos que aprender uma língua completamente diferente. E vamos conhecer pessoas novas que nunca teríamos tido oportunidade de conhecer.
É apenas um lugar diferente. É mais calmo do que Itália, menos vistoso. Mas, ao fim de certo tempo, quando olhamos à nossa volta, começamos a reparar que na Holanda há moinhos. Na Holanda há tulipas. Na Holanda até há Rembrandts.
Mas toda a gente que conhecemos vai e vem de Itália e todos se gabam das férias maravilhosas que lá tiveram. E para o resto da vida, vamos pensar "Sim, era para lá que era suposto nós termos ido. Foi isso que nós planejamos." E essa mágoa nunca, nunca, nunca irá desaparecer, porque a perda desse sonho é muito significativa.
Mas se passarmos o resto da nossa vida a lamentarmos o fato de não termos ido a Itália, provavelmente não vamos libertar o nosso pensamento para usufruirmos das coisas muito especiais e encantadoras que a Holanda nos oferece.

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Não poderia deixar de postar este texto... É profundo demais!
O único que conseguiu exprimir a sensação deixada quando as coisas não acontecem como planejamos.
Apesar de se tratar de um texto sobre crianças especiais, a sensação é a mesma quando temos um neném prematuro extremo: os meses roubados da gravidez, o susto do parto antecipado, o nascimento de um bebê pequenino e frágil como vc nunca esperava, os dias angustiantes da UTI neonatal com todos aqueles tubos e agulhas que não combinam com coisas de bebê. E vc... sem poder acalentar o SEU FILHO! Após a alta, nada de visitas, nada de saídas, correria pra médicos diversos, acompanhamentos... Essa é a Holanda. E a gente nunca espera isso quando engravida.
A gente sonha mesmo é com a Itália: uma gravidez de 40 semanas, um parto para o qual teve tempo de se preparar, um bebê de seus 3,500kg, que respira sozinho, que pode ser amamentado e mostrado para todo mundo -porque não é preciso proibir visitas-, e ainda no pacote, um marido (não só um pai) presente, que lhe dê suporte.
Mas, acima de qualquer coisa e de todos os percalços, o que importa é que você é mãe! Seu bebê está vivo, foi ganhando peso, se livrando dos tubos e a cada dia está mais saudável - e sem sequelas. Por essa gratidão com a vida e com Deus, a gente passa a agradecer também por estar na Holanda, agradecer porque o avião não caiu no meio do caminho.
Apesar de diferente, a Holanda é maravilhosa... Sem o glamour da Itália, mas tranquila e encantadora, e por não ter tantos estímulos e distrações, aprendemos a olhar mais pra dentro de nós mesmos, e aproveitamos melhor a paisagem, o aroma do campo de tulipas e absorvemos a força dos moinhos.
E além de todas essas coisas boas, quando se trata de um prematuro, a estada na Holanda é temporária. Ainda haverá tempo de conhecer a Itália, então com outros olhos, mais sensíveis e aguçados, na companhia de quem aguentou firme os dias confusos na Holanda.
O que a gente não pode de jeito nenhum é deixar de admirar os Rembrandts enquanto este dia não chega...

2 comentários:

  1. Garota, eu não vou mais pra Califórnia! Vou pra Holanda! ^^

    E a beleza de viajar(viver) é justamente ver a paisagem e se apaixonar ao máximo por tudo que está à sua volta. Pode ser até uma África saariana, que até a areia branca sob a lua ou o contraste laranja com o céu azul do meio dia, vai ser lindo!

    Guerreira, como tu, penso que veria belezas mil onde quer que aterrizasse. E se não tivesse belezas pra ver, construiria seu próprio Coliseu, torres tortas, arcos e barrocos... ;)

    Bjograndecomsaudades!

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  2. Sugestão de leitura para uma mãeteiga: http://sutia44.blogspot.com/

    ;) enjoy!

    Beijos!

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"Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo."
(Pitágoras)