
(respiro fundo)
Pronta para um recomeço. Talvez pronta não seja a palavra certa. Se é que existem palavras certas quando o que há por vir é um daqueles recomeços às avessas. Você sabe do que estou falando... quando tudo parece errado demais pra ser realmente possível voltar a respirar. É o que acontece após um tombo de arrancar raízes, após o baque surdo da queda, quando até os pássaros voam apavorados pra longe, tamanho o barulho e o horror da cena. Aquele momento em que tudo é silêncio e o chão ainda está tremendo. Há apenas a dor do golpe e a incerteza.
Quem vê ao longe, pensa - com pena - que aquela árvore imensa, frondosa e cheia de viço caída ao chão acabou sua vida alí. Mas, se você chegar perto, vai ver que a árvore ainda é uma árvore. A maioria das folhas está lá. Seu cheiro, seu caule, até os insetinhos que moravam nela permanecem. Tudo igual, só que fora de lugar. É só esperar pacientemente e logo aparecerá alguém para levá-la a uma nova floresta e fincar novamente suas raízes... em outro chão. Acolhedor, rico, novo, quente. Os pássaros voltarão, acompanhados talvez de borboletas - no estômago. No fim das contas a gente acaba esquecendo quem nos derrubou, ou pelo menos esquece a dor da queda.
Enquanto isso, continua sendo árvore... Com o chão ainda tremendo, com o silêncio do abandono, com as raízes expostas, mas ainda inteira, porque ela não se quebra fácil (árvores às vezes são criaturas teimosas...). O que são algumas folhinhas perdidas, não é? E por estar caída ao chão, pode ver tudo de um modo diferente. A vida em outra perspectiva.
O que realmente importa de verdade é que há um frutinho em seus galhos, doce, frágil, dependente, e enquanto houver seiva correndo por seus galhos, ela o alimentará e protegerá, até - e depois - que ele também seja uma árvore, grande e forte para não se quebrar com os inevitáveis, dolorosos e poéticos (por que não?) tombos de arrancar raízes que levamos simplesmente por viver com entusiasmo. Não dá para se contentar em crescer à sombra de outras árvores, olhando pra cima e pensando em como queríamos ser altos e fortes e belos como elas. Imaginando - sem sentir - o calor do Sol, enquanto ficamos na segurança triste das sombras.
É o risco... O risco de aceitar e perseguir tudo de bom que a vida nos dá, de crescer tão alto quanto conseguirmos, sem ter tempo de pensar no que aconteceria se alguém nos derrubasse. Já ouviu que quanto maior o sonho, maior o tombo? É a pura verdade. Se é que há verdade pura. Mas, a glória de sentir o Sol é maior do que a dor. E mesmo que doa muito, há o frutinho...
"No fim das contas a gente acaba esquecendo quem nos derrubou"
ResponderExcluiracrescentaria um filtro solar aí "No fim é só vc contra vc mesmo".... é isso aí... somos árvores, e muitas vezes achamos que morar numa calçada é pouco, queremos os pés no meio da rua....
Dar um passo a frente significa abandonar tudo o que é exato, o que está correto [ ou não] o que é pré estabelecido... Daí querbrar o cimento nos leva ao tombo...
Lindo o texto, tem sempre um pouco de mim em vc!
Continue aqui por favor!
Beijos
Te amo
Meu Deus, que LINDO isso!
ResponderExcluirEssa é a menina guerreira q eu conheço, amei poder ver q a seiva corre muito dentro da árvore... e a parte da teimosia...hehehe
Cuide bem do frutinho!
E o importante é q:
Os pássaros voltarão, acompanhados talvez de borboletas - no estômago.
Beijooo
AMO VC!
"[...] a glória de sentir o Sol é maior do que a dor. E mesmo que doa muito, há o frutinho..."
ResponderExcluirA dor é necessária. O sofrimento... é opcional. Viver dói - pra burro! Cair dói também. Raízes expostas, é de arrebentar. E perder folhas... afff... isso ainda deixa meu sistema mais nervoso!
Acho que é daí que vem a vontade de continuar crescendo. Com ou sem água, adubo ou terra propícia. Encontramos os nutrientes necessários até na música e na poesia, se preciso for!
Você é prova disso. Meu orgulho.
Bjograndecomsaudades! ^^